segunda-feira, 6 de agosto de 2007

O Tempo



Não sei definir o tempo.

Ele cai sobre a minha cama

mas usa máscaras.

Se disfarça de vento

mas é monotonia.

Usa roupas de sombras

mas é dia quente.

Tem um jeito de anjo

mas é solidão...

O tempo caminha pelo corredor

sem ter acordado.

É sonâmbulo de alma inquieta,

um grito abafado

em um salão vazio.

Tempo sádico que mata

todos os meus motivos,

deturpa as minhas vontades,

rabisca meus desejos e some.

Não sei definir o tempo.

Não sei se ele cura

ou se passa por cima.

Pode ser homem, mulher,

qualquer coisa.

O tempo que me sufoca,

o tempo que me abriga...

nasce / morre / renasce

Poema adormecido,

outro dia...


Daniela Furmankiewicz
Foto de Av. Braz de Aguiar. O tempo passa mesmo!